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A maioria das empresas recorre sempre à mesma abordagem ao executar uma nova estratégia. Veja que caminho é o melhor.

Para executar uma nova estratégia quase sempre é preciso adquirir novos recursos e capacidades. Já que dificilmente uma empresa consegue tudo o que precisa pela via do desenvolvimento interno, em tese seria razoável esperar que recorresse também a acordos de licenciamento, a alianças e a F&As.
 
Por incrível que pareça, no entanto, a empresa típica quase sempre aposta numa única abordagem para a obtenção de recursos. Num estudo de dez anos com 162 empresas de telecomunicações do mundo todo, descobrimos que apenas um terço costuma empregar todos os métodos a seu dispor. Algumas ainda desenvolvem quase todos os recursos na própria casa; outras se concentram no licenciamento ou em joint ventures; outras, ainda, são especialistas em F&As. E quando a empresa acrescenta uma arma a seu arsenal, em geral é uma só: F&As, digamos, para complementar o desenvolvimento interno. Para piorar, quando tiveram de explicar por que penam tanto para adquirir novos recursos e capacidades, poucos dos executivos de nossa amostra pareciam suspeitar que é porque estão teimosamente aplicando a abordagem errada. Mais da metade apontou a execução como a principal causa de problemas — em particular a falta de gente e capacitação (67%) e a incapacidade de integrar empresas adquiridas (50%).
 
Ao culpar a implementação em vez de olhar para a estratégia de desenvolvimento empresarial, a empresa deixa de gerar muito valor. Nosso estudo demonstra conclusivamente que aquelas que lançam mão de todos os métodos de obtenção de recursos superam empresas com abordagem estreita. Para sermos mais específicos, empresas que adquirem recursos de várias maneiras têm 46% mais chance de estar de pé no prazo de cinco anos do que as que apostam primordialmente em alianças, 26% mais chance do que as que se concentram em F&As e 12% mais chance do que as que priorizam o desenvolvimento interno. É importante observar também que o índice de insucesso na obtenção de recursos relatado por executivos que não pensaram muito nas táticas empregadas foi de 54%. Em comparação, entre aqueles que analisaram todo o leque de opções e fizeram escolhas refletidas sobre quais delas explorar, foi de 20%.
 
Neste artigo, sugerimos um esquema para ajudar o leitor a tomar decisões de forma mais estratégica na hora de adquirir recursos. Apresentamos três questões a serem consideradas, em sequência, para a seleção das melhores táticas para a situação em questão. Para saber se é melhor desenvolver recursos existentes internamente, pergunte a si mesmo se são relevantes para as novas necessidades. Se não forem, faz sentido fechar um contrato ou algum outro acordo com um fornecedor externo. Para descobrir que rumo tomar, veja se todas as partes estão de acordo quanto ao valor dos recursos. Caso não haja esse consenso, um contrato não vai funcionar — e será preciso, então, determinar qual a profundidade e o escopo da relação desejada para poder se decidir entre uma parceria estratégica e uma aquisição pura e simples (veja o quadro “Como chegar aos recursos de que precisa”).
 
O arcabouço apresentado se baseia na investigação formal que fizemos na última década e em longas conversas com executivos de empresas estabelecidas e emergentes em várias atividades envolvendo produtos e serviços ao redor do mundo. Ao seguir essa abordagem à aquisição de novos recursos, o leitor deixará a empresa pronta para o crescimento.


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